O ex presidente Getúlio Vargas, que nos governou 15 anos na Velha República e no Estado Novo, sempre participava de grandes eventos massivos e de comícios reunindo grandes multidões, quando, indagado por assessores, o sentido disso, ele respondia com sua sabedoria política:
"Quem não é visto, não é lembrado"!
Consciente ou não, ou agindo apenas pelo instinto político de líder de massas, o certo é que Getúlio fazia da arte de governar o Brasil um espetáculo de midia e o que o filósofo francês Merlau-Ponty, em seu clássico ("O visível e o invisível") definiu como:
"Sociedade Escópica ou Sociedade do Espetáculo
. Ou seja: eu só existo socialmente pelo olhar do outro, se for visto, mesmo que seja uma cena de sexo tipo "voieur".
O mito da refundação da sociedade escópica ganhou muita força com as imagens/videos publicadas nas redes sociais da Internet. Gravam-se videos de casais transando, mostram-se fotografias de defuntos, espetacularizam ao máximo imagens do absurdo.
Aquilo que Guy Debord e sua Sociedade do Espetáculo definia assim: "a realidade social está sob ordens dos videos e das imagens postadas para a libido de todos (prazer escópico coletivo); a aparência e a miragem virtuais estão acima da realidade dos fatos.
Os Reality Show, do tipo lixo do BBB, mostram até casais transando no Edredom. Uma verdadeira espetacularização do terceiro olhar lascivo, que é o do telespectador -influenciando os atores nas cenas mais instintivas, como bem explicou Zizek.
Faz relembrar aquele frase genial sobre o olhar:
"O que os olho não vê, o coração não sente".
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Autor: Professor Tim é cientista político e blogueiro!
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