Artigo da notável e preparada Professora e Educadora Karla Loiola (Estamos Criando Filhos Para o Caos?), que é uma potência da Psicopedagogia, mostra uma grande preocupação dela, na condição de profissional da Educação, com as liberdades sem limites da Geração Z de crianças e de adolescentes superprotegidos na conexão digital.
Resultando o enfraquecimento da autoridade familiar e a culpabilidade dos professores na formação integração discente..
Criando-se jovens sem os valores do respeito, da solidariedade e da empatia
Podendo levar a um caos social e familiar num breve espaço de tempo.
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Sou educadora, e frequentemente me vejo mergulhada em reflexões sobre a sociedade que estamos erguendo para as futuras gerações. Crianças e adolescentes têm sido criados sob a lógica ilusória de que tudo lhes é permitido, como se a vida fosse uma sucessão de concessões sem limites, sem frustrações e sem responsabilidade. Em muitos lares, a autoridade dos pais enfraquece e a missão de educar é transferida quase integralmente para a escola, enquanto professores, acuados e desvalorizados, são tratados como culpados por todos os infortúnios, ao passo que os alunos se sentem donos absolutos da razão — intocáveis em sua postura.
Diante disso, arriscamo-nos a formar uma geração órfã de referências sólidas, privada do convívio familiar genuíno e, sobretudo, da experiência fundamental de lidar com o “não”. A contrariedade, parte inevitável da vida, é substituída por um cenário de superproteção que, paradoxalmente, despoja os filhos de valores essenciais: empatia, respeito, responsabilidade e solidariedade.
As consequências já se manifestam em episódios trágicos e inquietantes. No sertão pernambucano, uma jovem perdeu a vida dentro da escola simplesmente porque ousou resistir a um desejo que não lhe pertencia. Até onde chegaremos? Até que ponto a ausência de limites, a inversão de papéis e o esvaziamento do diálogo familiar nos conduzirão a uma sociedade adoecida?
É urgente refletirmos. Cabe às famílias reassumirem sua função primordial: a de formar seres humanos íntegros, conscientes e capazes de conviver em coletividade. A escola, por mais comprometida que seja, não pode carregar sozinha essa responsabilidade. Se persistirmos no caminho atual, criando filhos despreparados para enfrentar a realidade, o caos não será uma ameaça distante — será uma presença concreta, visível e dolorosa em nosso cotidiano.
Karla Loiola - 11/09/2025
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