domingo, 11 de outubro de 2026
Felicitando o feliz aniversário do tesouro Maria Clara.
Crônica-textão de Júnior Bonfim sobre as crianças.
Só as crianças e as criancinhas são felizes..Quando Júnior Bonfim escreve sobre elas.
O textão mais sagrado e consagrado pela infância na data magna infantil. 12 de Outubro. Dia da Criança.
Só podia ser dele. O mais admirável Júnior Bonfim. Uma crônica lúdica, genial, santificada por todas as crianças.
Alfas ou betas. Digitais ou analógicas.
Tudo em nome da criança: sorridente, saúde, remédio do futuro promissor.
Vivabo Dia das Crianças.
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A CELEBRAÇÃO DOS QUE NASCERAM COM O FUTURO NA MÃO
Ela é como uma delicada baliza, uma estrela d’alva que ao céu alisa. Batizada Luísa, possui o gérmen azul de uma poetisa e se apresenta como uma flor de luz envolta em brisa. Tem menos de dois novembros, mas diariamente da sua fisionomia relembro. E essa amabilíssima lembrança me vem por conta do Dia da Criança. O rubro Outubro de sol caliente nos dadivou, à Toscana, com essa data dolce far niente! Que lúdico presente!
Cada geração tem sua peculiaridade. Nascemos duas vezes: uma do corpo, outra da temporalidade. Minha compleição biológica se gestou na chamada geração analógica. Os nascidos no entorno de um curral, batizados sob uma pia artesanal, celebramos, de forma especial, cada alteração e altercação espacial até atingirmos esse pico de estupefação digital. Para nós, era um assombro de prazer abrir uma cartilha para aprender a ler e, na sequência, entregar-se à magia do ato de escrever. Para nós, por exemplo, era uma verdadeira ilha da fantasia frequentar uma escola de datilografia. Ninguém tinha noção que aquilo era espécie de iniciação, oh céus!, para futuros e fortuitos pixels.
Fomos testemunhas de verdadeiros acontecimentos sob o embalo da velocidade modificadora dos inventos. Quando ao telefone fixo a gente se acostumava, surgiu o fone móvel e o celular que dobrava, depois uma tela que na palma da mão se abrigava. Foi essa sobrevivente geração que presenciou a mais fabulosa transição, da manualidade à automação.
Duas gerações surgiram nessa reta: uma chamada Alfa e a outra, Beta. Ambas emergiram, por inteiro, neste século vigésimo primeiro. A Beta, geração genial, já nasceu sob a égide da inteligência artificial. Seus membros crescerão desprovidos daquele medo original do primeiro contato com a máquina digital. E talvez em relação ao novo sejam menos inseguros, detendo muito mais capacidade de habitar o futuro.
Há também o ar que essas crianças vão respirar, e ele vem carregado de urgência singular. Esses niños crescerão sob debates ambientais que em discursos não cabem mais. Conviverão com um clima inclemente, mudando sob o ritmo apressado dos impacientes. Presenciarão o verão esticar, a chuva desandar e o mar avançar. Serão, talvez, a primeira geração a encarar a sustentabilidade de modo arrojado: não será causa nem modismo, mas algo tão óbvio quanto dizer obrigado.
Estudos demográficos generosos projetam que os Betas serão numerosos. De forma especial, até 2035 somarão 16% da população mundial. Pensemos nisso, com o olhar além: a Luísa de hoje conhecerá o ano dois mil e cem. Ao invés de uma ficção, a famosa longevidade, essa silenciosa revolução, terá transformado em experiência comum o que hoje é exceção.
Induvidoso que as crianças desses últimos meses, de modo geral, nasceram num mundo moldado pela inteligência artificial. Mas nasceram, antes de tudo, com as mãos pequenas abertas e a mesma pergunta antiga nas íris despertas. Carregam, no panteão invisível da memória, igual desejo de colo e de história. E esta, possivelmente, seja para eles a mais preciosa herança: a de preservação da tocha da esperança. E que dela se espalhe o fogo da bondade, alimentando as máquinas com motores de humanidade.
No fundo, o Dia da Criança é também um bombástico aparelho: uma data que acende um alerta vermelho e nos obriga a olhar para frente sem desviar a vista do espelho. Comemoramos não apenas os que são, mas os que serão — e, de passagem, o que fomos até então. A infância é a única fronteira por onde todos já passamos em determinado momento e da qual ninguém guarda mais que fragmentos: um cheiro, um corredor, uma tarde sem ventos.
Porque toda criança, Beta ou Alfa, nomeada ou sem nome, é a prova de que o futuro nunca some. Ele é remédio, nunca veneno, pois ainda se atreve a começar pequeno. E enquanto houver uma Luísa exibindo um sorriso que nos hipnotiza, cantaremos a semente que fertiliza. E o Dia da Criança, que honradamente louvo, mostrará para o inumerável povo que sempre haverá tempo para começar de novo!
(Júnior Bonfim)
sábado, 10 de outubro de 2026
Um intelectual sábio o Professor Aluísio na busca dos votos para o Presidente Lula virar a eleição.
Veja minhas previsões dos governadores eleitos dia 25 de outubro.
Sou filho da Reforma Agrária, disse Jorge Mesquita.
Fiquei feliz com os elogios do Andrezinho.
Discurso de Fransquim pediu engajamento das forças de Centro e do Prefeito Anderson na campanha de 2º turno de Lula.
O pragmatismo político de Karla Loiola: votou Moses para Federal, Lula no 2º turno.
Em discurso, Dr. João Carlos comparou o Bolsonarismo a Hitler.
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Segundo Denilson: Blogueio acertou 90% das previsões.
A Parábola da Árvore dos Bons Frutos segundo Socorrinha Holanda.
Luís Augusto: o eterno radical bolsonarista do JS.
Postando textão complementar do Dr. Augustino Chaves.
Textão de complementaridade do Dr. Augustino Chaves.
Excelente jurista e magistrado com altos conhecimentos jurídicos que foi, o Dr. Augustino Chaves conhece profundamente as teorias jurídicas defendidas por Hans Kelsen, mais especial a Teoria Pura do Direito.
Sobre o artigo que escrevi sobre Kelsen e sua teoria, faz um textão complementar.
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Tim, meu caro, aproveitando que você trouxe esse assunto, Hans Kelsen, queria aproveitar para falar de dois ou três momentos da vida dele.
Sobre sua obra, apenas o registro que, colocando-se frente à essa produção teórica, nos deparamos, maravilhados, a colossal conjunto, arrojado, de amarrada lógica, de coerência interna, de beleza na escrita.
Sou tomado do mesmo sentimento de quando estou à frente do conjunto de obras de arte expostas nos icônicos museus do Mundo.
Essa colossal obra é, entretanto, para usar jargão do processo civil, matéria de alta indagação; e matérias dessa natureza chamam milhares de debates e comentários, controvérsias, oposições, profusão de elogios e cerradas críticas. Obra de referência, como que imune à passagem do tempo.
Praga, 1881, nasce o nosso futuro jurista. Criança de menos de cinco anos mudou-se a Viena, a capital do Império Austro-Húngaro, no qual Praga orbitava. Em Viena estudou, em Viena graduou-se em Direito.
O que primeiro preciso falar: o irromper da primeira guerra, em 1918, pegou o jovem Kelsen hospitalizado; nessa condição, o compulsório recrutamento ao cruel teatro da guerra não lhe abrangia.
As fadas deixaram o jovem jurista longe das trincheiras, longe daquele absurdo existencial.
Formado em Direito que era, havia de contribuir no serviço público, e assim viu-se designado promotor (para ser claro: acusador) nos julgamentos dos sub-oficiais onde se examinavam e se julgavam condutas, condutas acontecidas no absurdo dos combates, onde o crime máximo materializava-se na deserção.
Transcorrido pouco mais de um ano nesse ofício, os registros administrativos constataram: os acusado livravam-se, punidos não eram, naquele tribunal de exceção.
Qual o motivo?
O jovem acusador, Hans Kelsen, empenhava-se, de fato, em retóricas defensivas, ainda que indiretamente, trazendo ao exame todo o contexto, salvando da visão fragmentada.
E, naturalmente, sendo quem era, brilhou.
Foi tirado da acusação e transferido à Consultoria Jurídica, quando lhe veio rara oportunidade, a saber, proximidade ao Imperador. Pois assim se deu, a trama do destino tecendo-se.
Kelsen veio ao Mundo em alma de Defensor. Habitava nele um anjo da guarda.
Não veio ao mistério da existência para se reduzir ao papel de acusar.
Passemos a outra etapa de sua vida. Aos sessenta anos, judeu, jurista consagrado, demorou a deixar a Europa, o horror nazista expandia-se.
Conseguiu, em derradeira hora, escapar da sanha nazista. Exilou-se nos EUA.
Depois de tratativas, foi ensinar em Harvard, mas sua condição de judeu, naquele estabelecimento de elite, e eu ia dizendo racista, então racista, bem não lhe acolheu. O então Reitor exercia-lhe manifesta antipatia. Ele conhecia aquela situação, pois sofrera, antes, perseguição, por ser judeu, quando foi ensinar em sua própria cidade natal, Praga.
Deixou Harvard e partiu ao oeste americano, Universidade de Berkley.
Kelsen havia pontificado em seguidas cátedras de universidades européias.
Sua visão política era a social democracia, a crença no Direito, a despeito de o mundo está em guerra, incendiando.
Simultaneamente a esse desastre coletivo vivia situação pessoal a exigir-lhe solução: desprovido de patrimônio, sua situação previdenciária, ou seja, sua aposentadoria, era incerta.
Nada, absolutamente nada, subtraiu-lhe da determinação e concentração para pensar e escrever sua obra.
Por tudo isso, meu caro Tim, entronizei a foto dele - Hans Kelsen - no panteão de fotos em meu gabinete pessoal. “O espírito sopra onde quer”. Deus esteja.








