Na Crônica de Júnior Bonfim: Regina Estela Bonfim.
Rainha Estrela, nascida Reginal Estela Bonfim. Uma divina senhora de e do bem, cristã, de valores familiares na melhor tradição Bonfim, nascida no conglomerado geográfico dos cílios do Serrote.
És o perfil biográfico, humano, histórico, social de uma diva dos Bonfim.
Fazendo, pelo dom da vida de Deus. 7.0.
Bendita seja Regina.
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REGINA ESTELA BONFIM
A família Bonfim nasceu de Alexandre, um Ferreira Santiago do interior de Independência. Criança, quando os seus pais faleceram em razão de uma contenda do lado dos Santiago, Alexandre foi entregue a uma tia, dita Bela, que residia atrás da Igreja Matriz de Crateús. Tia Bela alterou o sobrenome do menino: substituiu o Santiago por Bonfim. Tinha dois motivos para isso: o primeiro, queria retirar o Santiago em razão de uma tragédia que causou a morte dos pais de Alexandre; o segundo, achava que o
sobrenome Bonfim, em homenagem ao padroeiro da cidade, Senhor do Bonfim, poderia trazer bons auspícios à criança.
Alexandre lapidou uma virtuosa história de
vida: fez progressos como varão sintonizado com seu tempo histórico, no auge da civilização do couro. Foi agropecuarista, militante religioso, Procurador e Presidente da Câmara Municipal, Promotor de Justiça e, sobretudo, um homem de e do bem. Às margens do Rio Poty, em área que hoje corresponde ao Bairro Clemilândia, erigiu um sítio, de nome Periquito. Em seu louvor, a artéria principal do bairro foi nomeada Rua Alexandre Bonfim. Dele vicejou um dos maiores clãs dos sertões de Crateús.
Alguns descendentes de Alexandre ocuparam as glebas de terra da chamada “data Serrote”, que hoje compõe o distrito de Curral Velho. E os Bonfim ocuparam o Riacho do Mato, criavam gado na fazenda Veneza, plantavam cana de açúcar e erguiam engenho na Vaca Morta, patrocinavam corridas de cavalo no Barro Vermelho, na Ipueira Cercada e na Casa Nova, plantavam algodão na Lagoa das Pedras, aumentavam a criação de carneiros na Vitória, produziam queijo no Curral Queimado e no Monte Mar, fabricavam telhas e tijolos no Mondubim (onde nasci), amansavam animais bravos nas Cajazeiras e montavam curtumes no Curral Velho.
Regina, a Regina Estela Bonfim, nasceu nesse conglomerado geográfico em que circulava a família. Abriu os olhos pela vez primeira ao lado dos cílios do Rio Serrote, mais precisamente na Vitória, como uma espécie de prenúncio das
recorrentes vitórias que haveriam de lhe sorrir ao longo da existência.
Filha do casal Daniel Bezerra Bonfim e Inácia Ferreira Bonfim (a quem minha mãe nos ensinou chamar de Tia Inacinha), Regina e eu nunca tecemos uma amizade mais contígua. Talvez pela proximidade de faixa etária, eu era mais achegado convivencialmente aos seus irmãos Rogério, Cleuton e Daniel. Acompanhava, entrementes, suas conquistas e triunfos, especialmente quando abiscoitou um dos mais disputados empregos da sua juventude: o de bancária do Banco do Brasil. Àquela época esse era um dos maiores troféus de ascensão social.
Regina Estela Bonfim. Regina, ou Rainha, Estela, ou Estrela, é uma Bonfim que saiu da Vitória, mas que continuou com a pele impregnada pelas tatuagens invisíveis de muitas vitórias. Uma delas é a fortuna que os seus rebentos, Gustavo e Dalila, lhe proporcionam, aspergindo sua vida com o bálsamo de doces alegrias.
Após encerrar suas atividades profissionais no Banco do Brasil, dedicou-se por um período ao exercício do magistério e, hoje, vive a colecionar informações sobre os familiares e amigos. Sempre me alimenta com notícias, em especial sobre os que transmutam de domicílio espiritual.
Vez por outra, Regina empilha fonemas e desenha crônicas. Em 2013, no centenário da inesquecível Rosa Moraes, Regina rememorou graciosamente o tempo em que, a convite do seu avô Joaquim Ferreira Bonfim, a nossa professora-mor e sacerdotisa das letras e pinturas de Crateús passou uma temporada
lecionando na alpendrada Casa Grande do Curral Velho. Da “sala rústica” da mais alta e central Casa do distrito, Rosa Moraes ministrava aula para os parentes sob o conforto da “paisagem da várzea onde se esparziam reluzentes ‘pés de oiticica’”.
Também recordou o tempo em que frequentava a residência dos Moraes, destacando “o pé de pitanga, o jardim, o cheiro das rosas, as galinhas, o papagaio, o fogão de ferro a lenha, a mesa da sala de jantar muito grande, os guarda-louças, os armários com
muitos livros, o ateliê, as tintas, os pinceis, os quadros, o rádio numa mesa pequena com uma
linda toalha bordada”. (...) “Quantas
lembranças... da rede cheirosa, quando me deitava eu percebia o quanto aquele telhado era alto. Meus filhos também foram orientados por ela. Muitas tardes os deixei na casa da Tia Rosa... eles tinham aula de português e merenda. Dalila, minha filha, sempre lembra dos pães e queijo, bolos e biscoito feito por Tia Rosa”.
Certa feita Regina me confidenciou que seu sonho era ver a Casa Grande do Curral
Velho transformada em Museu, para reunir o diversificado acervo da família. Ideia primorosa! Alvíssaras!
Dizem que a primeira melhor década da vida é dos 60 aos 70 anos. A segunda melhor é
dos 70 aos 80. Regina realiza o ritual de passagem da primeira para a segunda mais
graciosa fase da existência regentando para os filhos: “Sou cheia de defeitos, sigam apenas as qualidades”. Viva!
(Júnior Bonfim)
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