Digo ao nobre Denilson e fundamento as teses quais serão os governadores eleitos no 2º turno dia 25!
Digo ao nobre Denilson e fundamento as teses quais serão os governadores eleitos no 2º turno dia 25!
Hoje tem um debate? Tem sim, senhor! - e não por mero acaso, este artigo começa parafraseando os animadores circenses: o que poderia ser um recurso democrático de elucidação para a escolha consciente do voto vira aquilo que o leitor viu quando um fascista entra em cena - um espetáculo, nem sempre divertido e frequentemente patético.
No domingo último, houve uma dessas apresentações que não se recomenda à audiência das crianças, o debate da Band. Impossível, para as gerações que lutaram contra a ditadura militar e se comprometeram em edificar a civilidade democrática, assistir aquilo sem um incômodo sentimento de fracasso - desculpe o termo, não tenho outro para dourar a pílula.
Ali estava um homem de idade, usando as forças que lhe restam para defender o que é fundamental na luta de sua vida inteira. Uma personalidade con
traditória - idealista, mas conciliador radical - que não será beatificado pela história, como quase ninguém foi, mas é potente em sua singularidade: a história pessoal de Lula é a representação individual do sonho coletivo de uma nação, de romper a couraça da exclusão e conquistar protagonismo. Neste sentido, Lula é o povo lá.
No estúdio da emissora e diante do país, o presidente fazia um esforço desconcertante para se adaptar à triste circunstância de enfrentar em debate um gângster com trejeitos adolescentes e o cinismo de um psicopata hereditário. Um senador da linhagem de Incitatus, que frequentava cultos evangélicos enquanto participava de orgias em lanchas, com lobistas de vacinas e garotas do “job”, enquanto a sociedade governada por seu pai já houvera perdido mais de setenta mil vidas sem que o então presidente tivesse autorizado a compra de um frasco sequer de medicamento.
A falta de compostura demonstrada no debate por Flávio Bolsonaro teve um custo. No dia seguinte, as redes sociais foram inundadas pela inesperada tsunami de uma esquerda que finalmente aprendeu, num estalo, a dialogar com o tenebroso algoritmo de igual para igual e desvelou a real personalidade do moleque. Já na terça-feira, sua propaganda eleitoral foi toda dedicada a produzir uma redução de danos. A própria imprensa não disfarçou ao seu público o estupor de quem se sentiu ameaçada por uma força que não reconhece limites (ver, por exemplo, editorial do liberal insuspeito, O Estadão).
Agora, chega a notícia de que Flávio irá ao debate da TV Globo nesta sexta-feira sem aloprados em sua equipe de assessores. Significa que mostrar sua verdadeira face, de mentiroso compulsivo, pegou muito mal e vai tentar disfarçar melhor, concedendo aos eleitores um melhor exemplo de caráter. Duvido muito que consiga. E por uma razão muito simples: não há outro - O Flávio que existe é aquele. E este é o Brasil que temos: um país onde um sujeito como ele pode ser presidente.
(Ricardo Alcântara, escritor e publicitário)