Sucesso total o Carlinhos Moreira na Crônica Política...
Se já era competente em outras áreas da literatura e do jornalismo, Carlinhos Moreira surpreende mais uma vez. A surpresa, boa. Estreou muito bem na Crônica Política.
Sua 1ª arrebentou. Sobre Sargento Borges e o candidato da terra.
Vale a pena ler!
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Candidato da terra ou candidato de ocasião? A escolha é de Crateús
Qual é o valor de um filho da terra?
Talvez seja difícil colocar em números. Há coisas que não cabem em
urna, pesquisa eleitoral ou santinho. O valor de um filho da terra está
na memória que carrega, nas ruas que conhece, nas histórias que ouviu
desde menino e, principalmente, na capacidade de olhar para sua gente e
reconhecer nela a própria história.
Em Crateús, essa discussão ganha um nome: Sargento Borges.
Filho da terra, conhecedor da realidade do município e dos Sertões de
Crateús, Borges coloca seu nome à disposição para postular uma cadeira
na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Mais do que uma
candidatura, apresenta-se como alguém que pretende levar para a ALECE a
voz de quem conhece de perto as dificuldades e os sonhos de sua gente.
É diferente quando alguém chega dizendo: “Eu conheço vocês”.
E é ainda mais diferente quando o povo pode responder: “Nós também conhecemos você”.
Mas toda eleição tem seus personagens. E Crateús, como tantas cidades
do interior, conhece bem aquele que aparece de quatro em quatro anos.
Ele chega quase como uma aparição.
De repente, o sujeito que ninguém viu durante anos descobre que
sempre teve um carinho enorme pela cidade. Aprende o nome das ruas,
abraça crianças, aperta mãos, toma café, posa para fotografias e
distribui promessas com a mesma facilidade com que distribui santinhos.
É o famoso deputado paraquedista.
Ele não mora aqui, não vive aqui, muitas vezes não conhece as
dificuldades daqui, mas, curiosamente, durante a campanha, Crateús passa
a ser o centro do seu universo. O paraquedista pousa. E pousa sorrindo.
Traz consigo um discurso cuidadosamente ensaiado: fala de
desenvolvimento, saúde, segurança, emprego, obras e futuro. Promete
lutar pela cidade como se tivesse acabado de descobrir que ela existe.
O problema é que a eleição passa. E, junto com ela, desaparece o amor
repentino. Crateús volta a ficar distante. As promessas ficam guardadas
em alguma gaveta. O telefone deixa de tocar. A cidade retorna ao
silêncio dos quatro anos anteriores.
Até que, um dia, chega novamente o período eleitoral. E lá vem ele. De novo. Como quem desce do céu. Mas o eleitor também aprende.
Representação se constrói com presença. Com trabalho, identidade e compromisso. É por isso que a figura do filho da terra ganha outro significado.
Porque quem é da terra não precisa consultar o mapa para saber onde
dói. Não precisa de assessor para explicar a história do lugar. Não
precisa esperar quatro anos para lembrar que aquela gente existe.
Sargento Borges é de Crateús.
É filho da terra, conhece suas raízes e quer levar o nome do
município para a Assembleia Legislativa. Sua candidatura nasce
justamente dessa ideia: a de que Crateús pode e deve ter um
representante que seja reconhecido pelo povo não apenas durante a
campanha, mas pela sua trajetória.
No fim das contas, talvez a pergunta não seja apenas “quanto vale um filho da terra?”.
Talvez a pergunta seja:
Quanto vale ter alguém que, quando chegar à Assembleia
Legislativa, possa olhar para trás e dizer: “Eu vim de Crateús. Eu
conheço aquele povo. Eu sou parte daquela história”?
Porque mandato passa. Eleição passa. Promessa passa. Mas as raízes permanecem.
E quem tem raízes sabe exatamente de onde veio e, principalmente,
para quem deve trabalhar quando chegar a hora de representar sua terra.
Primeira Coluna